Bloco de Geografia física (grupos 1 e 2)
O grupo 1 é o mais directo da prova, mas também o mais implacável: ou sabes que dois terços da superfície de Moçambique correspondem a terrenos do Pré-câmbrico, com as suas subdivisões (Arcaico ou Inferior, Proterozóico ou Médio e Superior), ou não há como contornar. Estuda a carta geológica simplificada do país e associa cada subdivisão às respectivas áreas de ocorrência, sobretudo o cinturão de rochas antigas do interior e das zonas montanhosas do centro e norte (Tete, Manica, Niassa, Zambézia, Cabo Delgado). Faz um esquema de duas colunas, subdivisão à esquerda e províncias ou regiões à direita.
No grupo 2, memoriza os três subconjuntos climáticos com os nomes exactos usados nos manuais da 10ª classe (tropical húmido, tropical seco ou semi-árido e modificado pela altitude), e para cada um regista uma área de ocorrência concreta e um factor determinante. A alínea 2b vale 15 pontos e pede um factor por subconjunto, portanto treina a dar respostas emparelhadas: não basta listar factores em bloco, tens de atribuí-los correctamente a cada caso.
Bloco de argumentação económica (grupo 3)
Este é o grupo que mais separa as notas. A afirmação de que a quantidade de recursos não determina directamente o ritmo de desenvolvimento pede uma resposta argumentativa estruturada, com 30 pontos em jogo. Prepara um esqueleto de resposta que possas adaptar: introdução com a tomada de posição, dois ou três argumentos fundamentados (capital de investimento, tecnologia, mão-de-obra qualificada, infra-estruturas, estabilidade política, mercados) e uma conclusão. Aplica sempre ao caso moçambicano com exemplos verificáveis: carvão de Moatize, gás de Pande e Temane, areias pesadas de Moma, potencial hidroeléctrico de Cahora Bassa. Contrapõe com países pobres em recursos e economicamente desenvolvidos, e o argumento fecha-se sozinho.
Bloco de Geografia humana (grupo 4)
A alínea 4a pede quatro causas da emigração clandestina para a África do Sul: dá exactamente quatro, numeradas, cada uma desenvolvida em duas ou três linhas. Trabalha as causas clássicas (desemprego e falta de oportunidades, diferencial salarial, tradição histórica do trabalho migratório nas minas, redes familiares e sociais já instaladas, proximidade geográfica e fronteira permeável, quotas limitadas na emigração legal). Na alínea 4b, organiza a resposta em dois eixos, efeitos sobre a vida social e efeitos sobre a economia da região de destino, e não te esqueças de que a pergunta é neutra: aceita tanto contributos positivos (mão-de-obra barata, dinamização de sectores) como tensões (pressão sobre serviços, conflitos sociais, economia informal).
Bloco de Geografia económica aplicada (grupos 5 e 6)
O grupo 5 é um exercício de triagem seguido de localização. Da lista dada, seleccionas os produtos de exportação do sector agro-pecuário (algodão, caju, sisal, citrinos, copra) e deixas de fora os que são camaroeiros ou de pesca (camarão, lagosta) e os de consumo interno (milho, feijão, amendoim, mexoeira). Depois, associa cada produto seleccionado à sua região de maior produção: caju em Nampula e Inhambane, algodão em Nampula e Cabo Delgado, copra na Zambézia, sisal em Nampula e Cabo Delgado, citrinos em Manica e Maputo. Constrói uma tabela produto/província e revê-a até a saberes de cor.
O grupo 6 vale um quarto da prova e é o mais rentável. A alínea 6b pede apenas quatro estâncias turísticas, 20 pontos por um exercício de memória: Ponta do Ouro, Bilene, Tofo e Barra, Vilanculos e o Arquipélago de Bazaruto, Ilha de Moçambique, Pemba e Wimbe, Parque Nacional da Gorongosa. Garante estes pontos primeiro. Na 6a, aborda divisas, emprego, efeitos multiplicadores e contributo para o PIB. Na 6c, foca-te em erosão costeira, destruição de mangais e recifes de coral, poluição por resíduos, pressão sobre a água e perturbação da fauna.
Estratégia geral de prova
Com 90 minutos para seis grupos e 200 pontos, o teu ritmo de referência é de cerca de 15 minutos por grupo, deixando cinco a dez minutos finais para revisão. Começa pelos grupos 5 e 6, que são os de maior cotação e de resposta mais segura, e só depois avança para o grupo 3, o mais exigente. Numa prova inteiramente de desenvolvimento, a organização visual conta: numera as alíneas, respeita o número exacto de itens pedido e escreve de forma legível, porque a clareza da exposição facilita a atribuição da cotação integral.