Começa por interiorizar as três famílias de linhas que existem numa perspectiva a um ponto de fuga: as linhas verticais (mantêm-se verticais), as linhas horizontais paralelas ao quadro (mantêm-se horizontais) e as linhas de profundidade (convergem todas no ponto de fuga). Treinar este princípio até ficar automático é meio caminho andado, porque qualquer objecto da sala (sofá, mesa, estante, tapete) vai obedecer a esta regra.
Pratica antes do exame a construção de mobiliário em perspectiva. Desenha repetidamente um sofá visto de frente e ligeiramente desviado, uma mesa rectangular, uma estante encostada à parede, uma carpete no chão e um candeeiro suspenso. Estes elementos são o vocabulário visual de uma sala de estar e dominá-los poupa-te muito tempo durante a prova.
Atenção especial à figura humana, porque é um requisito explícito do enunciado e um critério de avaliação forte. Revê o cânone das oito cabeças, treina poses simples (sentada no sofá, em pé junto à janela, a caminhar pela sala) e garante que a personagem está à escala correcta em relação ao mobiliário. A cabeça da figura, se estiver de pé sobre o chão, deve coincidir aproximadamente com a linha do horizonte (ou seja, com a altura do ponto de fuga), assumindo um observador adulto. Este é um truque clássico para acertar de imediato a proporção.
Trabalha a hierarquia da composição. Define onde colocar o elemento principal (normalmente o sofá voltado para o observador ou para uma televisão), os elementos secundários (mesa de centro, candeeiros, plantas) e os pormenores decorativos (quadros nas paredes, almofadas, livros). Evita encher demasiado o espaço, porque uma sala atulhada esconde a perspectiva em vez de a valorizar.
Reserva os últimos minutos para o claro-escuro e para as texturas. Mesmo sem cor, conseguirás transmitir profundidade aplicando sombras consistentes (define uma direcção de luz à partida, por exemplo de uma janela lateral) e diferenciando materiais com tramas simples (linhas paralelas para madeira, pontilhado para tecido, brancos para vidro). Estes acabamentos são o que distingue um desenho correcto de um desenho excelente.
Por fim, gere bem o tempo. Como é um único exercício, a tentação é começar a desenhar de imediato, mas vale a pena dedicar os primeiros dez a quinze minutos a um esboço leve a lápis, definindo o lugar de cada peça de mobiliário e da figura humana antes de carregares no traço definitivo.