Bloco da leitura e interpretação
Lê o texto duas vezes antes de escrever qualquer coisa. Na primeira leitura procura apenas perceber a história; na segunda, numera os parágrafos a lápis na margem, porque várias questões remetem explicitamente para o sexto, o nono, o décimo segundo, o décimo terceiro e o décimo sexto parágrafo. Perder tempo a contar parágrafos a meio da prova é um desperdício que se evita em trinta segundos de organização inicial.
Nas perguntas de justificação, como a 1.a) e a 1.b), a resposta completa tem sempre duas partes: a classificação e a prova textual. Não basta dizer que o narrador não é participante, tens de transcrever entre aspas a passagem que o demonstra. A presença responde à pergunta “o narrador está dentro ou fora da história?”, ao passo que a ciência responde à pergunta “o narrador sabe tudo, incluindo os pensamentos e sentimentos das personagens?”.
Nas perguntas de reconstituição, como a 2.a), a 3.a) e a 5.a), a exigência é de sequência e não de opinião. Descreve o procedimento por ordem, com verbos de acção, sem inventar pormenores. A 3.a) pede o incidente lamentável do sexto parágrafo e a 3.b) pede o estado de espírito que dele resulta: as duas alíneas formam par, uma pergunta o facto, a outra a reacção emocional.
A questão 8, sobre o ensinamento, é aparentemente livre mas tem critérios. Formula uma moral em uma ou duas frases, liga-a explicitamente à história (a promessa quebrada, o segredo revelado, as consequências em cadeia) e evita respostas genéricas. Vale 12 pontos.
Bloco do funcionamento da língua
Este bloco é o que separa as notas médias das notas altas, porque a gramática ou se sabe ou não se sabe, e nesta prova aparece disfarçada dentro de citações do texto.
Revê os graus dos adjectivos com atenção à distinção entre superlativo absoluto sintético (satisfeitíssimo) e analítico (muito satisfeito). A alínea 5.b) pede exactamente essa passagem e é dos pontos mais rápidos de garantir.
Nos processos de formação de palavras, a 5.d) pede a análise de “carinhosamente”. Treina a decomposição em radical, sufixo derivacional e sufixo adverbial, e sabe nomear o processo (derivação sufixal a partir de um adjectivo). A 6.b) pede a classificação morfológica de “mutismo”, substantivo abstracto derivado.
Na análise sintáctica, a 5.c) pede as funções dentro de uma oração (sujeito, predicado, complemento directo, complemento indirecto) e a 6.c) pede a divisão de uma frase complexa em orações e a sua classificação. Pratica com frases longas, sublinhando primeiro todos os verbos conjugados: o número de verbos conjugados dá-te o número de orações.
Na 4.c) e na 7.d) revê, respectivamente, a classificação de frase quanto ao tipo e quanto à forma, e a tipologia do sujeito (simples, composto, subentendido, indeterminado, inexistente). Na 2.b), a substituição de “de proporções gigantescas” por uma única palavra é um exercício de economia lexical: confirma sempre que a palavra escolhida encaixa sintacticamente na frase reescrita.
Bloco da composição
Reserva pelo menos 30 minutos para a questão 9, ou seja, um quarto do tempo total. Vale 40 pontos e é a única secção onde podes perder muito por má gestão de relógio.
Escolhe o tema com que te sentes mais seguro, e não o que parece mais fácil. No Tema A, estrutura o texto de opinião em três momentos: apresentação do problema (a falta de sigilo e o boato), desenvolvimento com pelo menos dois exemplos concretos do teu contexto, e conclusão com uma tomada de posição. No Tema B, respeita a estrutura da notícia: título, lead com as respostas às perguntas essenciais (o quê, quem, quando, onde, como, porquê) e corpo por ordem de importância decrescente.
Em ambos os casos, o limite de 15 linhas é para cumprir e deves contar as linhas antes de entregar. Não te esqueças da observação final do enunciado: não te podes identificar na composição, nem pelo nome, nem pela escola, nem por qualquer outro elemento que te denuncie.