Bloco A, tipologia e narrador
Revê a lista de características do texto narrativo e treina a justificação com evidência: não basta afirmar que há narrador, personagens, acção, espaço e tempo, tens de apontar onde é que isso se manifesta no excerto (Bondola, Matavata, a noite que cai, o ritual que vai começar). Para o narrador omnisciente, a chave é localizar uma passagem em que o narrador acede ao interior das personagens ou ao que só elas poderiam saber, como a doentia ansiedade com que Bondola esperava a noite. Habitua-te a transcrever a passagem entre aspas e a explicar em seguida por que é que ela prova a afirmação, porque as perguntas de justificação exigem sempre os dois passos.
Bloco B, compreensão e interpretação
As perguntas 2, 5, 6, 7 e 8 são de leitura atenta e cada uma remete para um parágrafo identificado no enunciado. Aproveita essa indicação: lê o parágrafo referido, sublinha as expressões relevantes e responde com base nelas. Nas perguntas de transcrição, como a 5, copia literalmente as passagens e não as parafraseies, porque a cotação está repartida por duas transcrições exactas. Na pergunta 6, sobre a frase repetida noite no ambiente, noite nos corações, noite nos cérebros, pensa em três planos de sentido, o físico, o emocional e o mental, e liga cada um deles ao medo dos mortos e às alucinações colectivas descritas no quinto parágrafo. Na pergunta 8 procura a causa concreta da rivalidade: a divergência de diagnóstico entre mandiqui e feitiço, e a reputação profissional que Bondola pôs em jogo.
Bloco C, funcionamento da língua
Esta é a parte que mais compensa treinar. Para a análise sintáctica de “O sol desprendeu-se bruscamente da abóbada celeste”, identifica com clareza o sujeito, o predicado com o verbo pronominal, o modificador de modo e o complemento oblíquo introduzido pela preposição. Faz a análise por partes, nomeia cada função e não te esqueças de classificar a frase quanto ao tipo e à forma, porque a cotação alta costuma repartir-se por vários elementos identificados. Na alínea de sinonímia, garante que a expressão substituta mantém o sentido e a correcção gramatical da frase. Para a pergunta 4, reconhece a personificação em os pilões calaram-se: atribui-se a um objecto inanimado uma acção humana, o calar-se, e a justificação tem de explicitar precisamente isso. Revê também metáfora, comparação, enumeração e hipérbole, porque o texto é denso em imagens.
Bloco D, personagens e leitura crítica
Na caracterização física de Macalija, o texto dá-te os elementos de forma condensada num único período: lábios finos e compridos, a cara roída, o sorriso escarninho. Treina a leitura de descrições concentradas, porque são três características a 0,6 valores cada. Na pergunta 9, o exame liga a literatura à educação para a saúde, pedindo que identifiques a prática de recurso ao curandeiro perante a doença e que a avalies do ponto de vista da prevenção do HIV/SIDA. Prepara uma resposta que refira o risco associado à partilha de instrumentos cortantes usados em rituais de tratamento, à ausência de diagnóstico laboratorial e ao atraso no início do tratamento antiretroviral.
Bloco E, composição
Decide o tema logo na primeira leitura e reserva pelo menos trinta minutos. Se optares pelo Tema 1, o final da narrativa, respeita rigorosamente as 8 a 10 linhas e mantém a coerência com a introdução e o desenvolvimento: o ritual de Bondola deve acontecer, a doente deve ter um desfecho e a rivalidade com Macalija deve resolver-se de algum modo. Conserva o registo narrativo, o tempo verbal do passado e o ambiente nocturno do sertão. Se optares pelo Tema 2, cumpre as 12 a 15 linhas e organiza o texto em três núcleos claramente delimitados, formas de contágio, medidas de prevenção e consequências individuais e sociais da doença, com uma frase de abertura e uma de fecho. Em qualquer dos casos, guarda cinco minutos para reler e corrigir ortografia, acentuação e pontuação, e cumpre a instrução final: não te identifiques na composição.