Bloco 1: leitura poética e gramática (perguntas 1 a 4)
Domina os critérios que permitem classificar um texto como poético: disposição em verso e estrofe, linguagem conotativa, presença de figuras de estilo, musicalidade e ritmo. A pergunta 1 vale apenas 0,5 valores, mas exige uma justificação fundamentada, por isso treina respostas curtas que nomeiem pelo menos dois traços concretos ancorados no texto.
Na interpretação dos versos iniciais, lembra-te de que “não tem cor” e “não nasceu do ventre da minha mãe” apontam para uma fraternidade que não é biológica nem racial, mas de condição social e de sofrimento partilhado. Treina a paráfrase: reescreve o verso por palavras tuas sem repetir o vocabulário do original.
Revê a distinção entre pronome possessivo, advérbio de negação e substantivo, porque é essa a tríade em jogo. Na classificação de orações, garante que reconheces a coordenação copulativa introduzida pela conjunção “e” numa frase negativa. Quanto às figuras de estilo, a repetição da estrutura negativa em versos consecutivos remete para a anáfora, e vale a pena teres presente também a enumeração, a metáfora e a personificação.
Na terceira estrofe, identifica o sentimento dominante (compaixão, revolta ou solidariedade, consoante a leitura que fundamentes) e percebe que o referente são os trabalhadores mineiros e os operários explorados. Fixa a designação de verso branco ou solto para versos sem rima e revê a nomenclatura de estrofes: monóstico, dístico, terceto, quadra, quintilha, sextilha e estrofe irregular.
Bloco 2: sintaxe, verbos e temática (perguntas 5 a 7)
É aqui que se ganham ou perdem os valores decisivos. Na explicação de “Viveu debaixo da terra”, combina o sentido literal (o trabalho nas minas) com o sentido figurado (uma vida marginal e invisível). Respostas que só apontam um dos planos ficam incompletas.
Revê o pretérito perfeito simples do indicativo e as suas terminações, treinando a distinção face ao imperfeito e ao mais-que-perfeito. Para a análise sintáctica, pratica a segmentação da frase simples em sujeito (aqui subentendido), predicado e complemento circunstancial de lugar, justificando cada função com a pergunta que a identifica.
Na temática, prepara uma resposta desenvolvida, porque a pergunta 7 vale 2,0 valores. O texto trata a fraternidade universal dos oprimidos, a denúncia da exploração do trabalhador negro e migrante, a crítica ao racismo e a afirmação de uma identidade que não se define pela cor da pele. Situa historicamente o poema no período colonial e na poesia de combate moçambicana, com referência ao trabalho forçado, à emigração para as minas da África do Sul e às condições de vida nos subúrbios.
Bloco 3: composição (pergunta 8)
Escolhe a opção que dominas melhor e respeita os limites indicados. No Tema 1, as 12 a 15 linhas são critério de avaliação: escreve uma introdução que apresente a tese, dois ou três parágrafos com argumentos distintos contra o racismo (dignidade humana, inexistência de fundamento científico para as raças, custos sociais da discriminação, exemplos históricos) e uma conclusão que reforce a posição. Usa conectores de argumentação e cuida da ortografia e da pontuação.
No Tema 2, garante as duas estrofes exigidas e assinala mentalmente qual é a figura de estilo que introduziste, porque a sua presença é avaliada. Uma metáfora ou uma personificação bem construída resolve o requisito sem esforço. Reserva 25 a 30 minutos para esta pergunta e mais cinco para a releitura final.
Gestão do tempo
Como todas as perguntas partem do mesmo poema, há a tentação de reler o texto vezes sem conta. Faz uma leitura atenta inicial de cinco minutos, sublinha os versos citados nas perguntas e avança.